"Viver é um ato que
não premeditei. Brotei das trevas. Eu só sou válida para mim mesma.
Tenho que viver aos poucos, não dá para viver tudo de uma vez. Nos
braços de alguém eu morro toda. Eu me transfiguro em energia que tem
dentro dela o atômico nuclear. Sou o resultado de ter ouvido uma voz
quente no passado e de ter descido do trem quase antes dele parar — a
pressa é inimiga da perfeição e foi assim que corri para a cidade
perdendo logo a estação e a nova partida do trem e seu momento
privilegiado que desperta espanto tão dolorido que é o apito do trem,
que é adeus."
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